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O Colégio de Lamego é um Estabelecimento de Ensino Particular e Cooperativo, enquadrado no Sistema Nacional de Educação, a funcionar em regime de Paralelismo Pedagógico e os Estudos nele ministrados são equiparados aos ministrados nas Escolas Públicas.

 


«Aqueles que ensinarem muitos brilharão

como estrelas por toda a eternidade»

 

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O mosteiro de S. Bento de Singeverga é filho do de S. Martinho de Cucujães. Nascido em 1892, veio a herdar do pai, à sua morte em 1938, o título e a fortuna: o título de abadia, que Cucujães restaurado possuía desde 1888 (embora sem titular desde 1894); e a fortuna ... – não os bens da fortuna, pois ao pai até a casa lhe roubaram – mas a fortuna dos bens, consubstanciada no Colégio de Lamego, de que passamos a fazer memória sucinta.

Como instituição, o Colégio de Lamego é anterior a Singeverga e a Cucujães, e mesmo à restauração da Ordem Beneditina em Portugal, tendo-se fixado o ano de 1859 como data da sua fundação.

Fundou-o, com seus irmãos, o sacerdote lamecense Pe. António Joaquim Lopes Roseira (nasceu em Covas do Douro em 1818 e faleceu em Lamego a 8 de Fevereiro 1898). Começou a funcionar num prédio da Rua da Calçada; dali passou para outro na Rua dos Fornos, vindo parar ao solar da família de D. Vasco de Serpa, no Largo de Santa Cruz, até que pôde albergar-se em edifício próprio, construído no arrabalde da Ortigosa, em terreno cedido pela benemérita D. Emília de Oliveira Viamonte.

Seria longo e difícil esquadrinhar o processo por que o Colégio do Padre Roseira, juntamente com a Quinta da Ortigosa, veio à posse da Ordem Beneditina, nela se mantendo apesar da confiscação geral de 1910. Testamentos, vendas, dívidas, doações e reservas entram no respectivo historial, parecendo ser de fixar aquela data em 10 de Junho de 1894 (escritura de venda do Colégio, por parte do Pe. Roseira).

O processo a que aludimos ocupou os últimos anos da vida do restaurador Fr. João de Santa Gertrudes Amorim. No entanto, a escritura de compra e venda realizou-se um mês depois do seu falecimento, e nela outorgou, por parte da comunidade de Cucujães, o Pe. Plácido Gonçalves. Foi precisamente este monge o primeiro superior monástico da casa de Lamego, numa tentativa de fundação regular levada a efeito pelo Mosteiro de Cucujães, logo em 1895 e que circunstâncias históricas bem conhecidas fizeram gorar ao cabo de poucos anos.

Além do superior, Pe. Plácido Gonçalves, faziam parte daquela comunidade beneditina lamecense o Pe. Gregório Vieira e os clérigos Fr. Paulo Martins e Fr. Bento Cunha. O grupo partiu do Couto de Cucujães no dia 3 de Outubro de 1895 e chegou a Lamego no dia seguinte.

Como facilmente se deduz uma coisa era a fundação monástica, com o seu superior, outra o Colégio, com o seu director. O Colégio, apesar das muitas circunstâncias adversas, vingou e, através de vicissitudes várias, prosperou.

Na perspectiva em que nos colocamos, distinguimos no historial do Colégio de Lamego duas etapas: a primeira, de 1859 a 1948; a segunda, de 1948 em diante. Na primeira etapa – 88 anos! – conheceu três directores:

•     O Fundador, Pe. António Joaquim Lopes Roseira (1859/1886)

•     Pe. Alfredo Pinto Teixeira (1886/1927)

•     Pe. João de Magalhães Ferreira, Visconde de S. Clemente de Basto (1927/1948).

Durante a primeira direcção, a vida do Colégio foi atribulada. A documentação fala-nos essencialmente de dívidas e dificuldades financeiras, o que não admira pois tratou-se da fase da implantação, que sabemos ter sido empreendida com espírito primariamente apostólico – apostolado social na área da educação e formação da juventude.

«A situação económica e, possivelmente, a falta de saúde do fundador» fizeram com que este, em 1886, transferisse as responsabilidades da obra.

O Pe. Alfredo Pinto Teixeira, natural de Santa Tecla, Celorico de Basto, ordenado em Braga a 20 de Setembro de 1884, começou, nesse mesmo ano, a trabalhar no Colégio do Padre Roseira, e outro trabalho não teve em toda a sua vida. Investido na Direcção do Colégio, como se disse, em 1886, o fundador logo lho arrendou, a 24 de Abril de 1890. Depois de o ter passado aos Beneditinos, e estes lá terem dado entrada em 1895, o superior, Pe. Plácido Gonçalves, renovou-lhe o contrato de arrendamento a 19 de Outubro do mesmo ano.

Padre Alfredo foi o grande Director do Colégio de Lamego.

O busto que os alunos lhe erigiram frente à porta do Colégio é homenagem mais que merecida e justa, talvez modesta demais, para quem tão apostólica e desprendidamente, durante mais de quarenta anos, se devotou ao bem da juventude estudantil.

Não se resiste a trazer para aqui o testemunho do ilustre aluno do Colégio, que foi o escritor Aquilino Ribeiro:

"Tenho dado conta que a casa de educação da Cidade Afonsina exerceu uma acção acentuadamente profícua na vida nacional. Nas artes e na ciência, na política e na carreira militar, no comércio e na indústria se assinalaram os seus alunos. De modo geral, Beira e Trás-os-Montes foram revolvidos pela charrua didáctica temperada ali... Este Colégio impunha-se como estabelecimento admirável, e quero confessar que as minhas rémiges, pequenas como são, cresceram ali à medida do seu porte e do seu tamanho natural" (AQUILINO RIBEIRO, Arcas Encoiradas, cap. XI).

Padre Alfredo morreu a 4 de Fevereiro de 1934, em Cucujães. Mas o Colégio, já desde 1927, também por contrato de arrendamento, passara a ser dirigido pelo Pe. João de Magalhães Ferreira (Visconde de S. Clemente de Basto). Em 1948 o Colégio encontrava-se em circunstâncias difíceis, sob o aspecto pedagógico, e o director apresentou a sua demissão.

Após a eleição do novo Abade de Singeverga, este envia a 15 de Novembro do mesmo ano, um novo grupo de monges para tomarem conta do Colégio: Pe. Vicente de Morais Vaz, Pe. Tomás Gonçalinho de Oliveira e Pe. Joaquim de Mesquita Guimarães, aos quais se juntaram os irmãos José dos Santos Silvério e Lúcio Monteiro. No dia 17, fazia-se formalmente a mudança de direcção, com a entrega do alvará por parte do Sr. Visconde, na presença do corpo docente, em acto simples mas digno.

Nesta segunda etapa, o Colégio conheceu vários directores.

Nos primeiros anos da nova arrancada, a preocupação maior foi a renovação dos edifícios, com destaque para a capela interna, que deixou de ser dependência secundária para se tornar aquele belo e digno lugar de culto, que hoje admiramos na parte sul do conjunto, com o seu coro alto, os seus vitrais, o fresco de Lino António e as esculturas de Altino Maia.

A inauguração fez-se no dia 22 de Novembro de 1956, com Missa solene a que assistiu o bispo de Lamego, D. João de Campos Neves, o corpo professoral e muitos convidados.

Em 1959, o Colégio celebrou com muito brilho o centenário da sua fundação. As comemorações tiveram o seu ponto alto no dia 6 de Junho, com uns actos promovidos pelo Colégio e outros pela autarquia. Entre os primeiros destacou-se a Missa solene por alma dos directores, professores e alunos falecidos; celebrou-a D. Vicente Vaz, estando presentes o Bispo de Lamego e os Auxiliares de Viseu (antigo aluno D. João Crisóstomo Gomes de Almeida) e de Coimbra (antigo professor D. Manuel de Jesus Pereira). Entre os segundos, promovidos pelo Presidente da Câmara, Dr. Justino Pinto de Oliveira, uma sessão solene no salão do Liceu, presidida pelo Dr. Almeida Carneiro, antigo prefeito do Colégio e Director Geral do Ensino Particular, representando no acto o Ministro da Educação Nacional. Por esta ocasião o Colégio foi, pela Presidência da República, em diploma datado de 29 de Maio, galardoado com o título de Oficial da Ordem da Instrução Pública.

Agora, vindo do primeiro ao último dos oito directores desta segunda etapa, de D. Vicente a D. Agostinho Fernandes, damos um salto de quarto de século para registar a celebração dos 125 anos do Colégio de Lamego. A data ficou marcada com a inauguração dum óptimo pavilhão gimno-desportivo. A essa inauguração presidiu, no dia 17 de Junho de 1984, o Ministro da Educação Prof. José Augusto Seabra.

A Obra continua ao bom ritmo da história, conduzida por monges empenhados no seu progresso, e acarinhada pelos amigos, que, além de outros muitos, são todos aqueles que por lá passaram e constituem a Associação dos Antigos Alunos do Colégio de Lamego. Todos se orgulham da instituição onde lhes nasceram as rémiges (para empregar a expressão de Mestre Aquilino), todos exultam com os êxitos escolares, desportivos e outros, dos seus alunos, e poucos são os que lá não voltam, uma vez por outra, a matar saudades e a restaurar energias espirituais.

(Adaptado -  D. Gabriel de Sousa, Mosteiro de Singeverga -

- Cem anos 1892-1992, Ed. Ora et Labora)

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