FRANCISCO ARTUR DE VAZ TOMÉ LARANJO - PINTOR
Licenciado pela ESBAP, em 1978
Bolseiro, em pós – graduação, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Junta Nacional de Investigação Científica, no Porto, Holanda e Egipto
Bolseiro do Instituto Goeth, de Dresden, na Alemanha

Professor universitário, associado e actual Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Conferencista

Homem talentoso, orgulho do Colégio e cidade de Lamego.

 

A Associação dos Antigos Alunos do Colégio de Lamego – AAACL  -  na pessoa do seu Presidente, Dr. José Alberto, concebeu a feliz ideia de chamar até nós personagens em  destaque, nas várias esferas da vida social, e que frequentaram o Colégio de Lamego.  Vêm falar-nos das suas experiências e saber, na vida profissional em que estão inseridos.

 

Depois de Armando Mansilha - professor universitário e médico cirurgião  cardiovascular – chegou a vez de Francisco Laranjo, mestre consumado na área das Belas Artes.

 

Foi no dia 13, do mês corrente, que tivemos o ensejo de o ter connosco para nos contar um pouco do seu “Curricullum vitae” e da sua vasta experiência no mundo das artes. Disse, com a maior ênfase, da importância que teve, para ele,  a sua passagem pelo Colégio de Lamego.

 

Referiu-a como um dos casos raros, pois aqui fez todos os estudos básicos, desde a instrução primária até à entrada na universidade.

 

Falou do muito que aprendeu, devido à competência e o muito saber dos professores, referindo ainda a disciplina e os bons hábitos de trabalho que adquiriu, alicerce indispensável para a vida que, ainda hoje, felizmente, conserva.

 

Na sua serenidade de pessoa calma,  voz  pausada e palavras bem pensadas e medidas, (faceta que o caracteriza), tratou com mestria e total segurança dos assuntos da sua especialidade: o que foi e é na vida, das experiências e aprendizagem, dos conhecimentos que foi adquirindo nos contactos com outros povos e culturas; respondeu ainda a todo o tipo de perguntas a que o submetemos.

 

Entretanto, parece-nos ser da mais elementar exigência que, neste espaço, possamos referir algo mais do seu rico percurso artístico, do estilo que lhe é peculiar e das várias actividades que exerce na área do ensino. Ele é, efectivamente, e sem sombra de dúvidas, figura marcante da cultura  portuguesa e um dos maiores expoentes das artes plásticas, em Portugal.

 

Francisco Artur de V. Tomé Laranjo  nasceu em Lamego, em 1955. Licenciado pela ESBAP, em 1978, foi bolseiro, em pós – graduação, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Junta Nacional de Investigação Científica, no Porto, Holanda e Egipto. Foi ainda bolseiro do Instituto Goeth, de Dresden, na Alemanha.

 

Exerce funções de professor universitário, associado, e é o actual Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

 

Conferencista de renome, tem exercido também funções de professor convidado em universidades, como: Bilbao, Otawa, Alexandria, Sófia e Paris.

 

Sendo aluno da grande figura das artes – mestre Júlio Resende –  recebeu  dele uma forte influência, na vertente expressionista da arte contemporânea.  Com ele trabalhou, já depois de licenciado, na qualidade de professor e seu assistente.

 

Personalidade de inquestionável valor artístico, Francisco Laranjo expõe, regularmente, desde 1979, em exposições individuais e coletivas, em Portugal e no estrangeiro. Dada a sua universalidade  de  conhecimentos e o seu reconhecido valor, na esfera das artes,  é da maior justiça que sejam citados países onde habitualmente expõe e aos quais leva o nome de Portugal,  como:   Holanda, Bélgica, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Dinamarca, Canadá, Brasil, India, China, Coreia, e à  maioria dos países da América Central e do Sul.

 

Assim tem representado Portugal além fronteiras, partilhando, com outros  povos e culturas, o valor das suas criações.  Já entrou, por mérito próprio, na lista das grandes figuras portuguesas da arte contemporânea, ao lado do seu mestre e admirador Júlio Resende, e outros, como Júlio Pomar, Nadir Afonso, Graça Morais, Manuel Cargaleiro, Irene Vilar, Paula Rego e Amadeo de Sousa Cardoso.

 

Mas é a sua personalidade, linha de pensamento e o  género plástico, que lhe é característico,  que nos merecem a maior atenção. 

 

Génio incontestado de artista, associado à simplicidade de homem beirão, laborioso e atento, fazem de Francisco Laranjo, o modelo do homem realizado, pois vive intensamente um ideal no qual acredita.  

 

Com uma ampla visão do mundo, fruto das muitas viagens por outros países, foi sempre dado à procura do novo e diferente. Aprofundando costumes e civilizações  diferentes da nossa, suas produções plásticas são, em grande parte,  (e à imagem dos grandes mestres), o retrato do mundo novo e diferente que nos rodeia, que lhe foi permitido auscultar, com seus problemas, mas também com suas belezas.

 

Em Francisco Laranjo existe uma total coerência entre os temas a desenvolver e o estilo e forma plástica que lhe é característica. O aspeto formal realístico das suas composições não é, para ele, relevante. Seus trabalhos são mais construções poéticas, as quais, como ele afirma, revelam preocupações  que  pretendem responder a temas, nas  incursões que  fez a objectos de estudo. A forma artística expressionista e o  gestualismo  abstracto confluem nele, de uma forma singular.

 

Criando telas de grande dimensão, o pintor deixa que o gesto criativo se desenvolva por si, cujo resultado só pode ser uma composição aberta, acessível a vários géneros de leitura. Essa postura, embora, por enquanto, o afastem do grande público, consegue afirmar-se, e bem, nos meios académicos mais exigentes.

 

O que lhe interessa, essencialmente, é a qualidade do objecto, enquanto escrita. Para ele a função da sua pintura consiste em dar respostas, por si só, a uma multiplicidade de interrogações que a ela são dirigidas. São respostas a preocupações que bailam no seu subconsciente.

 

 Na sua pintura existe uma certa gestualidade, porque todo o trabalho e os elementos que o caracterizam (pigmentos e suportes) são gestuais, enquanto formas visíveis;  mas,  para além dessas formas gestuais, existem preocupações reais, mais importantes  que o gesto,  propriamente dito.

 

No dizer de Francisco Laranjo, a sua pintura dirige-se às pessoas e as questiona sobre a vida. São o modo como procura compreender o mundo e tenta intervir nele.

 

A sua linguagem expressionista não é uma pura forma abstracta, autista, isto é, alheada do mundo exterior. Suas pinturas são um registo vasto de gestos que através de realidades formais dão a sugestão do ilimitado, do distante, mas também do concreto. São realidades plásticas que,   estando ali, estão longe de ali. São, simultaneamente, o Aquém e o Além. Estão, a um tempo, próximas e distantes”.

 

A pintura, para ele, é uma espécie de escrita e é através dela que pretende escalar as alturas, sem pisar ou marginalizar quem quer que seja. Revela, em certa medida, estados de espírito, nem sempre de fácil discernimento. Mas é esta a atmosfera inconfundível de Francisco Laranjo, rondando, por vezes, o inefável.

 

Pintor do belo, consegue, por vezes, registar o que escapa à maioria. Pinta o seu mundo com cores e formas abstractas, onde os azuis e vermelhos, misturados a formas vegetais, resultam em fortes composições. Diríamos ser  um pintor com uma paleta cheia de sol”.

Para o nórdico e conceituado  crítico de arte – J. VAN KUYK -   a pintura de Francisco Laranjo ilumina uma parede e inspira confiança para começar um novo dia.   Pinta a simplicidade da vida com todos os seus mistérios.”

 

É bem o pintor da vida, embora misterioso e, em certo sentido, inatingível.

 

Em Francisco Laranjo, o ensino é também uma das suas paixões. Depois do seu empenhamento institucional, como professor assistente e depois associado, nas Belas Artes, desenvolveu a área científica e pedagógica, com evidentes capacidades de formar e integrar equipas, coordenando grupos disciplinares.

 

Mostra dedicação ao ensino e à gestão, cultivando qualidades pedagógicas e um bom relacionamento com os alunos.  Na sua opinião diz    “ter aprendido muito com os alunos. O objectivo do professor é fazer com que o aluno vá mais longe do que o professor. Isso é o que tento fazer, diz. O ensino é uma porta aberta para muitos lugares que pensávamos fechados”.

 

De forma inequívoca e segura, Francisco Laranjo afirma que, na arte, há lugar para todas as manifestações do espírito. Reconhece, entretanto, e com certa mágoa, haver pouca tolerância neste campo, na aceitação da diferença, quanto às muitas formas artísticas  de expressão. As diferenças são necessárias. São sempre  de  excluir obediências cegas e irredutíveis a conceitos, considerados por muitos como únicos, capazes de tolherem a criatividade e a liberdade de expressão, consoante a capacidade de cada qual.

 

Embora misterioso e, em certa medida, inatingível, Francisco Laranjo é bem o pintor da vida.

 

                                                                                                                                           Paulino L. de Castro, osb.

Jan 2012

 

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Prémios

Premiado no Concurso Continuidade da Anatomia e Geografia na Arte, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1986. É-lhe atribuído o 1º prémio de Pintura, pelo Governo Espanhol pela participação na Exposição de Artes Plásticas inserida no 1º Congresso Internacional sobre o Rio Douro, Casa-Museu Teixeira Lopes, Vila Nova de Gaia, 1986. Prémio Revelação na 1ª Exposição Nacional de Arte Moderna ARUS, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto e Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1982/83. Prémio Engº António de Almeida, atribuído pela Fundação do mesmo nome, Porto, 1978.

Museus, Instituições e colecções onde está representado

Está representado em museus e colecções públicas tais como o Centro de Arte Moderna JAP, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Institute of Contemporary Arts, Kunsan National University, Republic of Korea, Colecção do Ministério da Cultura, Colecção do Ministério das Finanças, Museu Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante, Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, Porto, Museu Municipal de Tomar, Núcleo de Arte Contemporanea, Doação José-Augusto França e Centro Cultural de Macau, República Popular da China